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quinta-feira, 31 de dezembro de 2020

TEATRO NA ESCOLA XXXIV

 

A Flor da Alma

Pedro & Inês – Movimentos de Amor

 Pedro & Inês – Movimentos de Amor, performance de Movimento e Voz inspirada na história de D. Pedro I e D.ª Inês de Castro e em tantas outras histórias de amor e desamor. Encenação / Coreografia de Victor Sezinando. Fotografia & vídeo de São Ludovino. Escola Secundária D. Pedro V, Lisboa, 21/2/2020.

     No palco, vimos uma encenação, de Victor Sezinando, ao mesmo tempo simples e envolvente, crua e pungente, antiga e intemporal, sobretudo pela variedade de elementos que foram muito além da interpretação de um texto. O texto, na verdade, era inexistente, nem sequer foi uma colagem de várias versões desta tragédia. Foi mais a construção de um puzzle feito de silêncios, canto, dança e interpretação. A cada espectador coube o papel de combinar as “peças” como entendesse; mas qualquer que fosse a opção, a omnipresença de Pedro e Inês fez-se sentir ao longo de toda a performance. O lirismo trágico foi o sentimento dominante na luz, nas cores, nos gestos e no canto.

Pedro & Inês - Movimentos de Amor, photography by São Ludovino.

     A luz, tendendo quase sempre para o vermelho, anunciou e sublinhou a dor, a perda, a morte iminente: a brancura das saias foi a marca da pureza ondulando e acompanhando os passos; as vendas brancas lembraram como o amor é ou quer ser cego para que a felicidade perdure mesmo que por breves instantes; o retirar das vendas é o prenúncio da tragédia quando já é impossível não ver o que está diante dos olhos. Os apontamentos de canto e música percorrem diversas épocas, mudando os acordes, permanecendo a força motriz intemporal do amor. Os gestos delicados de Inês, os breves passos de dança, a correria da fuga de uma ameaça que não se pode aplacar, acompanhada pelo dramatismo dos sons altissonantes e pungentes, sucederam-se de uma forma que podiam contar só por si toda a história. O diálogo silencioso entre Pedro e Inês, que se faz de olhares, gestos, dança dizendo tudo o que haveria a dizer sem uma única palavra. O carregar do corpo morto de Inês, finalmente sentada num trono, que não é terreno nem material; os passos cadenciados dos cortesãos que se vergam perante o cadáver de Inês e lhe beijam a mão, como se tudo estivesse de facto escrito e ninguém pudesse fugir ao destino, os que partem e os que ficam. A combinação de todos estes ingredientes resultou num espectáculo de emoções fortes, visualmente belo e coerente.

     Mais uma vez, só me resta aplaudir o trabalho de todos, encenador e intérpretes, e esperar pelo próximo trabalho. Uma enorme vénia para todos!


Pedro & Inês - Movimentos de Amor, Encenação de Victor Sezinando


     Abaixo, fica um poema (Flor da Alma – Maior do que o Mundo) que esta performance me inspirou.

 

Encenação & Coreografia / Staging & Choreography

Victor Sezinando

 Elenco / Cast

Beatriz Fachina 
Bernardo Ferreira
Carolina Gomes
Carolina Teodoro
Elói Pina
Florbela Figueiredo
Gabriela Rubio
Gonçalo Alves
Joana Abreu
Joana Costa
Joana Sousa
Mariana Silva
Marta Mateus
Maria Pratas
Maria Pinheiro
Nelma Barreto
Patrícia Barbosa
Rodrigo Lencastre
Rodrigo Marques
Sandra Sofia
Yannick Gomes

 Sonoplastia

Carolina Miguel

Luz

Neuza Velez

Frente de Sala

Florbela Figueiredo

Fotografia & vídeo

São ludovino

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A Flor da Alma

Maior do que o Mundo


A flor da alma ergueu-se do seu leito terreno
Abraçou as aves e as nuvens e rumou ao azul distante.
Descalça sentiu nas raízes a chuva, o calor e o frio
Caminhou por entre as florestas e os desertos
Atravessou as planícies mais férteis
Banhou-se nas cascatas ainda puras
Percorreu aldeias e cidades
Povoados silenciosos
Ouviu multidões ruidosas
Cantou e dançou com tribos festivas
Até chegar junto ao mar
Um mar antigo que mora no alto das montanhas.
Nem uma pétala perdeu pelo caminho.
Por entre a poeira
Ficaram apenas os espinhos.

Nas águas cristalinas mergulhou
E as pétalas abriram-se em círculo flutuante
E toda a cor se enlaçou na transparência
E todo o sal rebrilhou no céu estrelado.

Sem pressa de viver
A eterna borboleta pousou-lhe no veludo vermelho.
São velas as pétalas que deslizam por entre os dedos do vento.
Navega lá longe noutro mar
A flor que de tão vermelha não cabia na Terra.

Pelas noites dentro
Pelos dias afora o barco-flor-coração
Aparece nos olhos cansados do jardineiro.
Ele olha o céu do crepúsculo
Estende os braços e recebe no peito
O beijo eterno da rosa poente.
Levanta-se no dia seguinte
E a rosa amanhece-lhe na alma
Desperta cada centelha de vida
Devolve a luz ao círculo do horizonte…

São Ludovino, 23/2/2020 

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The Soul Flower

Bigger than the World

 

The soul flower rose from its earthly bed
Embraced the birds and the clouds and headed for the distant blue.
Barefoot she felt in the roots the rain, the heat and the cold
Walked through forests and deserts
Crossed the most fertile plains
Bathed in the still pure waterfalls
Coursed through villages and cities
Silent boroughs 
Heard noisy crowds
Sang and danced with festive tribes
Until she got to the sea
An ancient sea that lives high in the mountains.
Not a petal lost along the way.
Amid the dust
Only the thorns remained.

In the crystal clear waters she plunged
And the petals opened in a floating circle
And all the color intertwined in the transparency
And all the salt twinkled in the starry sky.

With no rush to live
The eternal butterfly landed on the red velvet.
Sails are the petals that slide through the fingers of the wind.
Far away she sails away in another sea
The flower that was so red it didn't fit on Earth.

Through the nights
Throughout the days the boat-flower-heart
It appears in the gardener's tired eyes.
He looks at the twilight sky
Stretches his arms and receives on his chest
The eternal kiss of the setting rose.
Gets up the next day
And the rose dawns in his soul
Awakens every spark of life
Returns the light to the horizon circle...

São Ludovino, 23/2/2020


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Texto que acompanha o vídeo:

Num Mundo de desamor, tudo passa veloz
Como areia numa ampulheta.
Num Mundo passageiro só o Amor é eterno
Quando vem, fica, perdura
Nas estrelas, na alma, no dia que passa...

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In a World of unlove, everything goes by swiftly
As sand in an hourglass.
In a fleeting World only love is eternal
When it arrives, stays, lasts
In the stars, in the soul, in the day that goes by…

São Ludovino, 23/2/2020

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Pedro & Inês - Movimentos de Amor, photography by São Ludovino.

Pedro & Inês - Movimentos de Amor, photography by São Ludovino.

Pedro & Inês - Movimentos de Amor, photography by São Ludovino.

Pedro & Inês - Movimentos de Amor, photography by São Ludovino.

Pedro & Inês - Movimentos de Amor, photography by São Ludovino.

Pedro & Inês - Movimentos de Amor, photography by São Ludovino.

Pedro & Inês - Movimentos de Amor, photography by São Ludovino.

Pedro & Inês - Movimentos de Amor, photography by São Ludovino.

Pedro & Inês - Movimentos de Amor, photography by São Ludovino.

Pedro & Inês - Movimentos de Amor, photography by São Ludovino.

Pedro & Inês - Movimentos de Amor, photography by São Ludovino.

Pedro & Inês - Movimentos de Amor, photography by São Ludovino.

Pedro & Inês - Movimentos de Amor, photography by São Ludovino.

Pedro & Inês - Movimentos de Amor, photography by São Ludovino.

Pedro & Inês - Movimentos de Amor, photography by São Ludovino.

Pedro & Inês - Movimentos de Amor, photography by São Ludovino.

Pedro & Inês - Movimentos de Amor, photography by São Ludovino.

Pedro & Inês - Movimentos de Amor, photography by São Ludovino.

Pedro & Inês - Movimentos de Amor, photography by São Ludovino.

Pedro & Inês - Movimentos de Amor, photography by São Ludovino.

Pedro & Inês - Movimentos de Amor, photography by São Ludovino.





 

quarta-feira, 8 de maio de 2019

X SARAU D. PEDRO V


PASSOS INCONTÁVEIS
Espectáculo anual de ginástica e dança realizado na Escola Secundária D. Pedro V. Este ano teve a participação de dezanove equipas de diversos clubes, associações e escolas (vide lista no final do artigo). Organização de Eugénia Nunes. Lisboa, 3 de Maio de 2019.

     No passado dia 3 de Maio realizou-se o X Sarau D. Pedro V, uma década de trabalho e empenho de muita gente, organizadores, treinadores, ginastas e performers. Desta vez, tal como nas anteriores, vimos actuar gente de idades muito diversas de clubes e associações de dimensão e natureza muito diversa. Até podemos pensar “estes são bons”, “aqueles são extraordinários”, mas aos olhos de quem vê e não conseguiria executar nenhum daqueles exercícios todos são extraordinários e todos revelam o mesmo gosto pela ginástica e pela dança. Os que já são campeões sobressaem necessariamente, passaram uma grande parte das suas ainda curtas vidas a treinar para serem o que são hoje. É um prazer vê-los e é também um orgulho porque têm dignificado não só as suas modalidades mas também o país que representam.
     Continua, no entanto, a notar-se um certo alheamento por parte da comunidade escolar; os espectadores são sobretudo alunos e apoiantes das equipas. Mesmo assim, o pavilhão estava cheio e não faltou entusiasmo e vivacidade entre os que assistiam ao espectáculo.
    Este ano tirei poucas fotografias. Tentei fotografar e filmar ao mesmo tempo mas essa é uma tarefa praticamente impossível. Por isso, a partir da terceira actuação decidi filmar apenas. O álbum de fotografias contém apenas alguns registos do início (apresentação das equipas) e das primeiras actuações.

AMBIGUIDADES E INCONGRUÊNCIAS DOS DIREITOS DE AUTOR

     O vídeo foi bloqueado logo que o carreguei no YouTube… bloqueio acompanhado de mais de uma vintena de reivindicações de copyright (com a habitual monetização), tantas quantos os temas musicais usados no espectáculo. Não fui eu que carreguei os ficheiros de música, o fundo musical é aquele que foi emitido como fundo musical no espectáculo, no entanto foram feitas reivindicações de copyright como se os ficheiros de música tivessem sido adicionados às imagens captadas ao vivo.
     Estranho e absurdo critério! Tal procedimento levanta muitas interrogações. Por exemplo, de cada vez que num campeonato europeu, mundial ou olímpico são necessariamente usados temas musicais nas provas de ginástica ou patinagem, as entidades organizadoras ou as equipas pagam direitos de autor pela utilização desses temas? É que de cada vez que uma equipa ou um performer usa um tema musical numa prova que chega a ser vista por milhões, parece-me que o que acontece é que esse tema está a ser gratuitamente publicitado. No entanto, se essas entidades desportivas pagam de facto direitos de autor aos compositores / intérpretes, então faz algum sentido este bloqueio e outros, apesar de este espectáculo ter dimensões menores e ser sobretudo um evento de natureza recreativa de uma comunidade escolar. Ninguém paga bilhete para assistir, os ginastas e dançarinos(as) actuam gratuitamente. Seria de facto muito absurdo se a única coisa a pagar fossem os temas musicais, sendo apenas uma gravação de fundo e não uma actuação ao vivo de nenhum artista.
     Poderia enumerar uma longa lista de situações em que, tanto quanto sei, não são pagos direitos de autor por temas musicais emitidos publicamente e em locais com entrada paga ou que implicam algum consumo. Eis alguns exemplos: alguém paga direitos de autor nos bares e discotecas, nos karaokes, nos bailes de finalistas ou em qualquer outro baile público, no início ou final dos jogos de futebol, nas salas de espera com música de fundo, nos centros comerciais, em alguns elevadores, nos bailes de aldeia em que a música gravada ou os CDs substituem as bandas ao vivo, nas Queimas das Fitas, nas campanhas eleitorais e tempos de antena, etc., etc., etc.? Parece-me que se fosse obrigatório pagar direitos de autor em todas estas situações e em muitas outras, o mundo ficaria reduzido a um grande silêncio musical… e a música seria um bem para elites economicamente privilegiadas.
     Se um utilizador não faz nenhum tipo de utilização comercial da música e ainda por cima já pagou o CD perfeitamente legal que já inclui uma margem para direitos de autor, por que é que tem de pagar duas, três, infinitas vezes pelo mesmo produto.
     É proibido fotocopiar um livro, o que me parece perfeitamente correcto, mas não é proibido transcrever o livro, mesmo na internet… e ainda bem. Houve, por exemplo, alguém que se deu ao trabalho de transcrever na íntegra Os Lusíadas num site muitíssimo útil. Não vejo nessa transcrição nenhuma violação dos direitos de autor (pobre Camões!), vejo apenas a generosidade de alguém que tenta divulgar e partilhar a literatura portuguesa. A Casa Fernando Pessoa tem também um excelente arquivo digital de obras ou excertos de obras de autores portugueses. Deveria a Casa Fernando Pessoa pagar direitos? Parece-me é que deveríamos estar gratos por alguém (entidade privada ou pública) ter gasto tempo, energia e certamente dinheiro para tornar acessíveis a todos tantas obras. E o mesmo se poderia perguntar sobre os arquivos digitais de milhares de bibliotecas e arquivos de todo o mundo. De resto, sempre que as obras não são do domínio público e não estão isentas de direitos de autor, essas entidades não permitem, e bem, a cópia ou download das obras na íntegra. Regra geral, esse princípio só se aplica a alguns autores vivos por solicitação dos mesmos e essa indicação costuma vir junto da capa ou fragmento publicado da obra.
     Do mesmo modo, os músicos que não permitem o download na íntegra só costumam publicar cerca de 30 segundos de cada faixa. No entanto, milhares de utilizadores publicam na íntegra (pelo menos no YouTube) álbuns inteiros desses mesmos músicos e ninguém bloqueia nem reivindica nada. Porquê? Julgo saber uma das razões: porque no título do vídeo colocaram o nome do músico e/ou do tema/álbum… mesmo que no interior coloquem outros conteúdos que nada têm a ver com aqueles músicos ou temas e nem sequer pertencem ao utilizador que fez o upload…
     Enfim, abençoados os que fizeram as digitalizações e tornaram esse precioso manancial de literatura, cultura e arte acessível a todos. E abençoados os muitos músicos desconhecidos do grande público, que não ganham fortunas nem têm mansões, e disponibilizam publicamente tanta música de grande qualidade, pedindo apenas que o seu nome seja mencionado ou seja adicionado um link. O que é perfeitamente legítimo e devido a qualquer criador de música, pintura, escultura, fotografia, palavras e tantas outras formas de arte e cultura… embora no caso da fotografia se coloquem muitas outras questões para além da dos direitos de autor…
     Também podemos interrogar-nos sobre o papel dos direitos de autor na área dos Field Recordings, uma área aberta do mundo da música e dos sons. O trabalho das pessoas que se dedicam ao Field Recording parece-me muito louvável e útil e só os mais dedicados e pacientes conseguem reunir um bom arquivo de sons e experiências musicais. Na área do Field Recording grava-se tudo, nos mais diversos contextos, em ambientes naturais e muitas vezes de improviso. Gravam-se sons da natureza (o som do vento, da chuva, do mar, de uma cascata, de um riacho, das folhas das árvores, das aves, de qualquer animal…), sons rurais, urbanos, da vida quotidiana, cultural e artística (do som de um comboio à descolagem de um avião, passando por uma simples conversa de rua, o riso, o choro até segmentos de espectáculos, aplausos e reacções dos espectadores). Até hoje ainda não encontrei ninguém que se dedique ao Field Recording que cobre direitos de autor apesar de passar horas infinitas a fazer esse trabalho. Se o seu trabalho é depois usado por diversos utilizadores, músicos e performers de várias áreas, talvez também devessem ter direitos de autor… mesmo que aquilo que gravam sejam os sons que andam no ar por todo o lado. Pois bem, num espectáculo como o Sarau D. Pedro V os sons também andam apenas pelo ar, qualquer pessoa pode gravá-los.
     Também é curioso que muitos outros vídeos gravados nas mesmas circunstâncias (incluindo nestes saraus) não tenham sido bloqueados nem na totalidade nem parcialmente. Será que este ano todos os participantes tiveram o azar de escolher precisamente temas que estavam destinados a levantar problemas, uns por serem monetizados ou por ser absolutamente proibido usá-los? Enfim, pelo menos os temas monetizados ainda são audíveis, mas lá pelos 41:00 minutos faz-se silêncio absoluto… e depois a música volta outra vez… Estranhos critérios!!! O tema bloqueado é Come on Eileen dos Dexys Midnight Runners. Que pena! Mesmo sem querer, vejo-me obrigada a desgostar ou gostar muito menos deste tema que adorava. Comprei o álbum (Too-Rye-Ay) dos Dexys Midnight Runners que contém este tema há muitos anos e agora não posso “descomprá-lo” como protesto e eu não vendo os álbuns que compro. Já me senti compelida a gostar menos ou a deixar de ouvir outros temas pelas mesmas razões.





·         Come On Eileen - Kevin Rowland & Dexys Midnight Runners
·         Sound recording
·         41:03 - 42:40 play match
·         WMG
·         UMG
·         On behalf of: Mercury
·         Blocked in all countries 
·         Processing video


     Às vezes, nos vídeos em que sou eu que de facto escolho a música, sinto que é preferível escolher temas de que goste menos ou desconhecidos para que esta espécie de Index inquisitório não varra da minha memória e das minhas preferências muitas composições musicais que me parecem geniais. Uma vez maculadas por reivindicações absurdas, tornam-se apenas matéria transacionável que perdeu a alma. Tudo o que se vende ou se consome apenas a troco de dinheiro perde a alma.
     O novo Artigo 13 (agora 17) aprovado pelo Conselho da União Europeia, pela Comissão Europeia e pelo Parlamento Europeu vai agravar ainda mais esse processo de esvaziamento e materialização das produções do espírito. Fechou-se mais uma porta à liberdade de expressão e à criatividade livre sem propósitos comerciais. Só o que é rentável para alguém (quem será?!) é que passa a ser legítimo e aprovado pela extraordinária inteligência artificial fabricada por meros negociantes que nada têm a ver com o mundo da criação artística. Os bloqueios passam em muitos casos a ser automáticos sem análise prévia e detalhada de cada caso. Mais um ciclópico olho do Big Brother que, além do mais, é cego e arbitrário. Não são só os direitos de autor que estão em causa, é também a liberdade de expressão e criação.

     Vejam-se alguns exemplos deste absurdo:
     «Segundo a eurodeputada alemã, os filtros automáticos para conteúdos protegidos por direitos de autor que esta legislação pode vir a exigir — o artigo 13 — continuam a ser parte do texto da directiva. Quanto ao artigo 11, que também gerou controvérsia, a “taxa para hiperligações” continua também presente no texto. Ou seja, se a directiva for aprovada, plataformas como a Google ou o Facebook e outros sites vão precisar de uma licença para reproduzir “pequenas palavras e pequenos excertos” de notícias.»
(…)
   «Os opositores a esta directiva afirmam que estes artigos, a serem aplicados, podem mudar completamente a forma como se acede à Internet na União Europeia. A censura de conteúdos antes de poderem ser publicados e a impossibilidade de se poder partilhar artigos noticiosos sem restrições automáticas são as principais críticas.
   Segundo os opositores, qualquer sistema automático de filtragem de conteúdos vai ter falhas. O YouTube, uma das principais plataformas afectadas por esta directiva, já aplica estes filtros para proteger direitos de autor, mas como a inteligência artificial tem falhas, muitos conteúdos que não deviam ser bloqueados acabam por sê-lo.»

Direitos de autor. Europa chega a consenso e Artigo 13 avança para votação, artigo de Manuel Pestana Machado no Observador, 13/2/2019

Veja-se também o excelente artigo de Marta Leite Ferreira e de Manuel Pestana Machado Da salvação dos memes às mudanças na Internet: 9 respostas para perceber a diretiva de Direitos de Autor


Os escandalosos “Artigo 11” e “Artigo 13”
     «A desconfiança e aversão à proposta de reforma dos direitos de autor prendia-se com estes dois artigos. Na sua redação prévia o artigo 11.º versava sobre a proteção de publicações de imprensa para utilização digital. Aqui estipulando um pagamento a essa publicação para que pudessem ser partilhado os links de acesso à mesma.
     Já o artigo 13.º da mesma proposta previa a criação de filtros. Aqui, para o carregamento de conteúdos para as plataformas pelos utilizadores. Um sistema que causou todos os alertas no YouTube e plataformas similares. Aqui sobretudo por não discernir expressamente o que era uma simples citação, de uma apropriação indevida.
     Na versão final, ambos os artigos continuam presentes. Ainda que utilizem agora uma numeração diferente – artigo 15.º e artigo 17.º. Certo é que se referem à proteção de publicações de imprensa nos meios online (15.º), ao passo que o 17.º versa sobre a utilização de conteúdo protegido pelas plataformas e prestadores de serviços.»


E também a Tomada de Posição Pública da BAD (Associação Portuguesa de Bibliotecários, Arquivistas e Documentalistas). Refere-se aos artigos 11 e 13 que agora são os artigos 15 e 17:
    

E claro, a fonte directa, o Parlamento Europeu: Parlamento Europeu aprova diretiva sobre os direitos de autor

     QUEM FAZ USO COMERCIAL deve pagar sempre direitos de autor e a triplicar (ou mais, dependendo do que ganha) porque não se admite que terceiros ganhem dinheiro à custa dos criadores originais. Mas os utilizadores que não têm propósitos comerciais não deviam ser obrigados a pagar esses direitos, sobretudo se compraram os CDs; e mesmo nos casos em que apenas identificam os autores e acrescentam um link. Além do mais, alguns temas bloqueados são os mesmos que terceiros usam livremente no YouTube… Será que pagaram direitos aos autores? Duvido!!! Talvez seja apenas porque alguns desses terceiros têm milhares de visualizações e a monetização reverte para as empresas discográficas (mas não necessariamente para os autores). O dinheiro, outra vez, sempre o dinheiro, esse vil metal que conspurca tudo mas também serve de fiel da balança ética, é uma espécie de prova de carácter que revela quem são os honestos e os desonestos, quem são os consumidores e os criadores; quem são os oportunistas, parasitas, vigaristas e caloteiros e os verdadeiramente cumpridores dos mais elementares princípios éticos.   
     O que também é muito curioso é que a única música que não foi bloqueada nem trouxe consigo uma reivindicação de direitos autorais  foi também a única que eu adicionei de facto ao vídeo (introdução e final), apenas alguns acordes de um tema de John Yorks (Gad-Fly). Honra seja feita a John Yorks! Aqui fica o link.
     Regra geral, faço exactamente isto: identifico sempre autores e obras e indico o link do site ou canal oficial (quando existe). Mas no caso deste sarau, isso seria impossível, porque não fui eu que escolhi e adicionei a música e nem sequer consegui identificar alguns dos temas… Posto isto, falta apenas dizer que apenas o tema dos Dexys Midnight Runners foi apagado e é possível ouvir o fundo musical do resto do espectáculo, apesar da praga da monetização.   
     Com ou sem banda sonora, o espectáculo foi magnífico e estão todos de parabéns! Bravo!

EQUIPAS
1 - Rítmica de Grupo - Exercício com bolas e maças - GCP - Andreia Alves e Sara Reino
2 - Classe Especial Salesianos de Lisboa - I Feel Good - SL - Hugo Almeida e Madalena Alves
3 - Flicking - LGC - Lina Mendes
4 - Suricatas - The Awakening - CDESMT - Vera Benvindo, João Oliveira e Alexandra Santos
5 - EspecialGym - Limpa Chaminés - SCP - Madalena Alves
6 - Acrobática de Competição - Ana Cardoso e Ricardo Afonso
7 - Silhuetas - SLB - Susana Lopes e Bruno Fragoso
8 - Imagens - Strong Mind-Believe - GCP - Rita Garcez
9 - Acrobática de Competição - Grupo Feminino - GCP - Ana Cardoso e Ricardo Afonso
10 - Okkapas- Come on! - Move CAQ - Rui Santos
11 - MIXstica - SLB - Rui Antunes
12 - Acobática de Competição - Par masculino - GCP - Ana Cardoso e Ricardo Afonso
13 - Mix Appeal - Tango - GCP - Natacha Paiva e Miguel Valério
14 - Fox - Fox Story - CDESMT - Vera Benvindo
15 - Acrobática de Competição - Grupo Feminino - GCP - Ana Cardoso e Ricardo Afonso
16 - Anankê - Street Mix - GCP - Ana Pinheiro
17 - Jazz / Contemporâneo - Tributo - GCP - Nuno Gomes
18 - TeamGym-Sénior Mistos - SCP - Miguel Alarcão
19 - Meraki-AcroSporting - Ashes - SCP - Catarina Carvalho e Rodrigo Fernandes

Organização
Eugénia Nunes
Grupo de Educação Física
Antigos alunos da Escola Secundária D. Pedro V


X Sarau D. Pedro V, Lisboa, 3/5/2019



X Sarau D. Pedro V, photography by São Ludovino.

 X Sarau D. Pedro V, photography by São Ludovino.

 X Sarau D. Pedro V, photography by São Ludovino.

 X Sarau D. Pedro V, photography by São Ludovino.

 X Sarau D. Pedro V, photography by São Ludovino.

 X Sarau D. Pedro V, photography by São Ludovino.

 X Sarau D. Pedro V, photography by São Ludovino.

 X Sarau D. Pedro V, photography by São Ludovino.

 X Sarau D. Pedro V, photography by São Ludovino.

 X Sarau D. Pedro V, photography by São Ludovino.

 X Sarau D. Pedro V, photography by São Ludovino.

 X Sarau D. Pedro V, photography by São Ludovino.

 X Sarau D. Pedro V, photography by São Ludovino.

 X Sarau D. Pedro V, photography by São Ludovino.

 X Sarau D. Pedro V, photography by São Ludovino.

 X Sarau D. Pedro V, photography by São Ludovino.

 X Sarau D. Pedro V, photography by São Ludovino.

 X Sarau D. Pedro V, photography by São Ludovino.

 X Sarau D. Pedro V, photography by São Ludovino.

 X Sarau D. Pedro V, photography by São Ludovino.

 X Sarau D. Pedro V, photography by São Ludovino.

 X Sarau D. Pedro V, photography by São Ludovino.

X Sarau D. Pedro V, photography by São Ludovino.

 X Sarau D. Pedro V, photography by São Ludovino.

 X Sarau D. Pedro V, photography by São Ludovino.

X Sarau D. Pedro V, photography by São Ludovino.